terça-feira, 28 de julho de 2009

"Todas as grandes ações e todos os grandes pensamentos têm um começo ridículo. Muitas vezes as grandes obras nascem na esquina de uma rua ou uma porta giratória de um restaurante. Absurdo assim. O mundo absurdo, mais do que outro, obtém sua nobreza desse nascimento miserável. Em certas situações, responder "nada" a uma pergunta sobre a natureza de seus pensamentos pode ser uma finta de um homem. Os seres amados sabem bem disto. Mas se a resposta for sincera, se expressar aquele singular estado de alma em que o vazio se torna eloquente, em que se rompe a corrente dos gestos cotidianos, em que o coração procura em vão o elo que lhe falta, ela é então um primeiro sinal do absurdo.

Cenários desabarem é coisa que acontece. Acordar, bonde, quatro horas no escritório ou na fábrica, almoço, bonde, quatro horas de trabalho, jantar, sono e segunda terça quarta quinta sexta e sábado no mesmo ritmo, um percurso que transcorre sem problemas a maior parte do tempo. Um belo dia, surge o "por quê" e tudo começa a entrar numa lassidão tingida de assombro. "Começa", isto é importante. A lassidão está ao final dos atos de uma vida maquinal, mais inaugura ao mesmo tempo um movimento da consciência. Ela o desperta e provoca sua continuação. A continuação é um retorno inconsciente aos grilhões, ou é o despertar definitivo."


Trecho tirado de "O Mito de Sísifo" de Camus.


Pra quem se encontra com os pensamentos conturbados, é um ótimo livro pra tentar explicar o que acontece. Eu recomendo, porém, às pessoas que tem um intelecto maior pra ler filosofia. Não por ser um livro de filosofia, mas sim por abordar assuntos fortes sobre questionamentos da vida, que mentes fracas não entenderiam quase nada da mensagem que o livro tenta passar.
É uma leitura que tem me prendido a atenção ultimamente e que explica determinados acontecimentos em que nos colocamos relacionados a vida.

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