terça-feira, 4 de agosto de 2009



A noite caiu sobre São Paulo, mas uma vez caminho por aqui só, entrando em um estado pensativo e solitário que só eu tenho. A noite está agradável, o vento está aos poucos soprando em meu rosto, e estou andando sem um rumo certo. Minha cabeça pensa em diversas coisas, tanto nas coisas que eu vejo, como nas coisas que guardo comigo, e só consigo sentir. Sentir algo que realmente não sei explicar, mas é caracterizado como um vazio.

Ao olhar as pessoas, mesmo que seja por poucos segundos me pergunto como seria a vida dessa pessoa, será que ela é feliz? Será que ele enxerga o mesmo que eu?
ao andar mais, reparo em uma moça com trajes sujos e rasgados sentada no chão, com uma criança em seu colo, com os cabelos esvoaçados e sem pentear direito, as duas estavam a brincar. Continuei andando, porém minha mente parou por um instante. Senti inveja. A criança que estava com ela parecia tão feliz, seu sorriso me caiu como um soco no estômago. É incrível como a inocência daquela criança me comoveu. Será que ela sabe a situação que se encontra? Será que ela faz idéia que a vida dela daqui a algum tempo não vai ser tão feliz, e talvez aquele sorriso que ela mantém no rosto possa desaparecer como o vento que sentia em meu rosto?

Continuei a andar, e observar mais o que acontecia em volta. A alguns metros da menina observei um grupo de amigos. Estavam sentados e conversando como se estivessem pensando ou discutindo sobre coisas da vida. Talvez fossem até futilidades, mas, me lembrei de quando parava com os meus amigos, acendia um cigarro e começava a conversar sobre nossas teorias vitais entre o gole de uma cerveja e uma tragada do cigarro. Eu me sentia bem, porém, hoje estou aqui andando, sem a capacidade de sair com alguém pra ter esse tipo de discussão. Acho que poucos hoje em dia dos meus amigos parariam pra fazer esse tipo de coisa, que por sinal, não parece um passa tempo divertido. Mas é.

Será que só eu moldei minha cabeça desse jeito? Será que só eu penso assim, ando pelas ruas e me sinto assim? Amadurecer ás vezes me parece uma atitude idiota e infeliz da vida. Poderia ser pra sempre como aquela criança que encontrei, onde meu sorriso esconde a inocência que deveria ser necessária para todos nós. A cada passo, um pensamento, uma dúvida, uma construção maluca dentro da minha cabeça. Acho que cansei de tudo isso.
Acho que cansei de pensar, cansei de saber, cansei de esperar. Talvez fosse mais fácil jogar tudo pro alto e simplesmente aproveitar as coisas boas que a vida dá. Mas eu não posso, logo depois desse pensamento e desejo que contaminam minha lma, vem a tal da razão. Infelizmente todos nós somos domesticados a viver assim. E por mais que eu saiba disso, não há solução. Portanto, irei continuar caminhando, entre alegrias e tristezas, orgulhos e decepções, sonhos e pesadelos, e deixar que a vida me guie pelo seu longo ou curto caminhos. Pode ser que os dias passem mais rápido assim, mas não posso fazer nada. Um mundo com tantas pessoas na minha cabeça, vira um mundo com uma só delas. Eu.

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