Amanheceu.
Pisco os olhos várias vezes durante para me dar conta que realmente acordei, e que não estou sonhando. Ponho as mãos em meus olhos, e abro-os por definitivo. Hora de tomar coragem.
Não pense, apenas levante.
Caminho até o banheiro, para tomar meu banho, ainda cambaleando pra lá e pra cá.
Ao abrir o chuveiro, encosto a cabeça na parede e deixo a água cair sobre ela.
Começo a pensar em como vai ser o meu dia, e a água vem como o única fonte de energia para minha disposição.
Saio do banho, me seco, me troco, e saio do banheiro, sendo que todos esses itens faço por inércia.
Caminho cerca de 3 minutos até o serviço. Trabalhar do lado de casa já deveria ser por si só, um combustível de satisfação, mas ainda não sei o porque passa longe disso.
Entro no serviço, aquele silêncio continua a rondar as manhãs daqui. Dentro de uma hora, fico sozinho, e começo a ver pela internet como anda minha vida "virtual". Que por sinal, é puro vício.
O dia vai passando, pessoas chegando no escritório e vou levando tudo sem a mínima vontade. Parece que já perdi a vontade desse serviço há tempos. Nada mais me anima, nada me traz paz e tranquilidade, e sempre trabalho com má vontade.
Não, não foi sempre assim. Mas cheguei ao extremo do extremo por assim dizer.
Minha rotina de má vontade corre até as 17:00 da tarde.
Saio do escritório até com certa felicidade, porém, com receio do segundo round do dia.
Porém, uma coisa me anima, aliás, uma das poucas coisas que me animam hoje. Vou ver ELA.
Aquele momento no dia, eu posso dizer que vale por grande parte do dia chato e entediante que tive. Afinal, são uma hora e meia de desabafo sobre tudo. E se não for de desabafo, será uma hora em que esquecerei de tudo, pra viver apenas ela.
O problema disso, é que acho que ando levando isso como única razão dos meus dias. Quando acontece algo relacionado a ela, acaba com minha semana. Ultimamente tenho sido menos intolerante, ou muito tolerante. Não sei dizer, tem situações que me deixam com medo, outras me deixam confuso. Por motivos óbvios, tento deixar tudo pra lá, porque não quero estragar o que de bom conquistamos nesse tempo.
Quando acaba o meu tempo de "intervalo" da rotina, entro na faculdade. Sim, eu gosto do que faço, e acho as aulas interessantes, mas realmente me falta vontade e disposição de entrar nelas. Juro que esse pedaço é o que mais estranho no dia. Porque uma coisa que eu gosto tanto se tornou tão sem graça?
A aula passa, acho interessante, mas penso que não era lá que eu queria estar.
Aliás, esse sentimento de não querer estar tem andado muito do meu lado.
Quero paz, tranquilidade, mas enfim, se eu começar a contar sobre meus desejos e vontades, esse texto se tornará uma bíblia dos rabugentos.
Ao sair da faculdade, levo ELA até o ponto, e me torturo em saber que dentre poucos minutos não a terei mais no meu dia. Entrego ela ao ônibus, e lá vamos nós em uma longa caminhada de reflexões até a minha residência.
Chego lá, despenco na cama e reflito mais uma vez. Se demorar mais que 50 minutos do momento que deixei ela no ponto até a hora que cheguei, já ligo por preocupação.
Falo com ela, e lamento não estar ao lado dela durante a noite.
Desligo o telefone, pois ela está com sono.
E aí, a minha companhia de todas as noites chega, mais conhecida como Insônia, vive atormentando minhas noites, fazendo com que eu durma tarde, e que o próximo dia fique pior, pelo cansaço deixado.
Uma rotina dessa pra muitos é o sonho de qualquer um. Isso me deixa mais inquieto, porque sei que talvez até esteja reclamando de boca cheia.
Mas talvez, essa não seja a rotina ideal pra mim, nesse momento.
Aliás, rotina? Esqueça essa palavra. Não quero desperdiçar meus dias vivendo eles como se fossem iguais toda hora.
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