sexta-feira, 21 de maio de 2010

Um dia...

Acordei. Começo a abrir os olhos, e demoro pra me dar conta de que realmente o que eu fiz é verdade. Quando isso acontece, eu simplesmente esboço um sorriso, e começo a pensar o quão feliz eu fui de ter tomado essa decisão.




Dou meu último suspiro para criar coragem, e me levanto da cama. Entro no chuveiro, e tomo um banho quente, ainda pensando no que fiz. Saio do chuveiro, me troco, e olho pro espelho. Penso: "Olhe pra você. Você já se imaginou aqui, nesse estado, desse jeito, tão cedo?".


Saio do banheiro, e saio por aí pra tomar comer alguma coisa. Sai para tomar um café da manhã, nada muito pesado, apenas para enganar o estômago. Me sento e olho para o cais, vejo que o dia lá já começou faz tempo, mais são tantas pessoas diferentes das que eu estou acostumado a ver, que acho estranho. Me levanto depois de comer rapidamente, compro alguns tickets com destino ao Caxadaço. Entro no barco, que leva algum tempinho para chegar até o lugar. Quando chegamos, fico maravilhado com a beleza do lugar, e acredito cada vez mais que fiz a coisa certa.




Aperto o meu baseado bem devagar, pensando em tudo o que está acontecendo, e impressionado com minha atitude ainda. Acendo ele, e pronto. Olho para minha consciência e digo, Por quê tanta preocupação? Olhe pra isso. Realmente não há o que discutir, estou no paraíso.




A tarde começa a cair, e vejo que estou deitado na areia há algum tempo já. O pôr-do-sol começa a surgir no céu, e ilumina minha face com o laranja mais bonito que já vi na vida. Meu corpo está agradecido por eu estar lá, ele relaxa como nunca tinha relaxado na vida. Minha mente, parece que está tão relaxada, que fica dividida entre pensamentos do que eu estou vivendo, e do que eu deixei pra trás.




Acendo o último da tarde, e continuo a observar o lugar, com certa curiosidade e admiração. Percebo que já é hora de ir, apesar da grande vontade de permanecer por lá o resto da minha vida. Entro no barco de volta, e fico quieto, observando as pessoas que estão lá comigo, e pensando como nunca tinha pensado antes na vida. As poucas vezes que percebo, estou com o olhar perdido em algum ponto do horizonte. Começo a ficar bravo, sempre desejei viver essas coisas sozinho, mas estava triste por não ter ninguém me acompanhando e sentindo o que eu estava sentindo naquele momento.




Chego em Abraão, ainda noite. Saio do barco, e vejo poucas pessoas na rua, admiradas com a experiência que tiveram no dia, talvez estivesse mcom a mesma cara que eu. Cansado, volto para a minha cama. Deito um pouco, e reparo que minha mente novamente começa a pensar.




Sem perceber direito, fecho os olhos enquanto continuo com esses meus pensamentos. Durmo, sem nem sentir, e quando me dou conta, é outro dia. Mas é outro dia até para minha mente. Acordo com outras idéias, com preocupações. Penso enquanto acordo, o por quê de estar pensando nessas coisas? Por quê me preocupar com as coisas que nunca se preocuparam comigo de verdade? Pra que trocar o paraíso que vivo, longe de tudo e de todos, pra retornar a minha vida chata, sem graça, e cair na rotina cotidiana mais insuportável do mundo?




Pois é, não sei ao certo, mais decido seguir meu coração, e volto.


O caminho inteiro, fico pensando que a real loucura de tudo o que tinha feito até ali, era estar voltando novamente para a vida da selva de pedra. Estou inconformado, parece um conflito interno entre meu consciente e meu subconsciente. Chego na estação, pego minahs malas, e no caminho de volta começo a me acostumar com os prédios, transportes públicos, pessoas alienadas, poluição. É triste, bem triste.

Chego em casa, e vejo minha mãe preocupada. Mas fico feliz, ela foi a primeira a apoiar minha ida, e a estranhar minha volta. Ligo para meus amigos, e eles, assustados, vão me encontrar. Conto detalhes do que fiz, todos me apoiam, e dizem que sou louco de estar lá novamente.




Saímos, pra dar uma volta, apertar um, tomar algumas cervejas, e no primeiro bar que pensamos em ir, encontro ela lá.




Dei oi para ela, e ela me perguntou o por quê eu fiz isso, o por quê de estar de volta depois de tudo. Disse para ela com as seguitnes palavras:




- Percebi que a vida lá era perfeita, sem nenhum tipo de problema. Percebi que lá, poderia ser livre de verdade. Percebi que lá, teria amigos que não estariam ao meu lado por interesse. Percebi que lá, poderia ter uma vida feliz e diferente.




- Mas então, por quê você voltou?




- Porque lá, apesar de ser perfeito, não teriam coisas que eu amo de verdade. O amor, quando criado em um lugar cheio de dor, se fortalece. Ele é diferente do amor criado em um lugar perfeito, onde nunca é testado. Meu amor foi testado diversas vezes aqui, seja ele para com minha família, para com meus amigos, e para com você. Sei que não é recíproco de intensidade, mas não aguento deixar as coisas que eu realmente amo de lado. As vezes me sinto mal, por quê acho que vim ao mundo para amar, e não para ser amado. Mas entendi que o único jeito de me amarem como eu amo aos outros, é continuar sendo quem eu sou. E que se um dia eu parar e ver que o seu amor nunca será equivalente ao meu, pelo menos estarei grato, por você ter feito eu amar, e muito.




Foram palavras que disse, que nunca esquecerei. Foram olhares que vi, que nunca imaginei.


Você leva uma responsabilidade enorme nas costas, que é o peso de toda a sua vida. Você decide o que faz com ela. Um dia você entende o que todos falam com tanto espanto sobre o amor. Ele realmente é capaz de coisas extraordinárias e inexplicáveis.




Muitos esquecem disso hoje em dia, e não sabem o poder que o amor tem sobre o resto.


Eu não sou ninguém pra julgar, pelo contrário, sou um sopro qualquer do vento chamado vida.




Mas eu acredito no amor ainda sim.


Acho que o que realmente falta, é inteligência e sabedoria para os humanos.


Falta momentos de reflexão, para que eles possam entender isso.




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